
Webquest
“Não receies apaixonar-te por algo e abraçar isso intensamente.”
E. Paul Torrance









Introdução
Desde os princípios da humanidade que o ser humano sentiu a necessidade de comunicar, CRIAR, adaptando-se ao meio ambiente e transformando-o.
Do primeiro traço nas grutas de Lascaux ₀₁, passando pelas pinturas do Renascimento ₀₂, até outras manifestações artísticas profundamente criativas como, por exemplo, o Surrealismo ₀₃, foi percorrido um longo caminho.
Este caminho criativo é prosseguido por nós todos os dias, no modo como nos relacionamos connosco próprios e com todos os seres e objetos que nos rodeiam, estando presente desde a forma como nos vestimos ao modo como nos alimentamos. Eis porque:
O desenvolvimento do pensamento criativo é essencial para a resolução de problemas, e saber resolver problemas é necessário para a sobrevivência, para o desenvolvimento da independência e para a realização de uma vida plena. (J. P. Guilford, 1980).
Quando, por distração, preguiça, timidez, falta de confiança ou de tempo, ou por outro motivo qualquer, ignoramos, esquecemos, abafamos o nosso poder criador, não damos expressão ao que somos, não criamos criações ou criaturas que, agradando ou desagradando, certamente desafiariam outros criadores, deixamos de viver, desperdiçamos o imenso milagre que é estar vivo... (António Rodrigues, 2010, in comentário à atividade de divulgação desta WebQuest).
Assim, nesta WebQuest propomos uma aventura surrealista centrada num tema abrangente, complexo e, como tal, estimulante: a CRIATIVIDADE.
Como objetivos definimos em termos gerais os seguintes:
a) Desenvolver o pensamento criativo.
b) Orientar a realização de tarefas criativas.
c) Fomentar a auto-avaliação das tarefas realizadas.
De entre as matérias a estudar destacamos:
a) Elementos Visuais.
b) Cor / Lirismo.
c) Forma / Metamorfose.
d) Signos e símbolos.
e) Desenho Figurativo.
Tarefa(s)
“E da minha própria experiência poderei dizer que aquilo que vamos criando é para ocultar a nós próprios aquilo que sabemos.”
Cruzeiro Seixas
Pessoa, Pressão, Processo, Produto são facetas ou dimensões a partir das quais podemos definir a CRIATIVIDADE ₀₄.
A dimensão centrada na PESSOA desenha a CRIATIVIDADE como um atributo ou característica dos indivíduos.
A dimensão centrada na PRESSÃO apresenta a CRIATIVIDADE como uma unidade de forças ou influências exercidas pelo meio ambiente.
A dimensão centrada no PROCESSO descreve a CRIATIVIDADE como um conjunto de operações do Método de Resolução de Problemas.
A dimensão centrada no PRODUTO associa a CRIATIVIDADE a uma ideia, uma teoria, um objeto, um comportamento, um rendimento ou qualquer tipo de atividade humana.
A CRIATIVIDADE é assim um tema multidimensional e, frequentemente, considera-se que pode ser potenciada através de múltiplos Métodos e Técnicas.
Deste modo, como poderá verificar mais adiante, para a realização das várias tarefas propostas nesta WebQuest são facultadas múltiplas sugestões metodológicas e técnicas. Entretanto, antes de escolher a tarefa que vai executar, tenha em atenção o que se segue.
A primeira e a segunda tarefa poderão ser realizadas tanto em suporte de papel como em suporte digital, utilizando um equipamento específico como, por exemplo, o Note Taker. Trata-se de um processador portátil de textos e imagens de utilização simples e intuitiva. Permite escrever em papel regular e armazenar até 100 páginas A4. Funciona como pointing device (dispositivo apontador) quando em modo "on-line" e efetua o reconhecimento de escrita manual.
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CONSTRUÇÃO DE UM CADÁVER ESQUISITO
Material necessário:
· Papel de formato A4;
· Lápis de grafite, esferográfica ou marcadores;
· Lápis de cor, lápis de cera ou pastel seco.Número de sujeitos participantes:
· Grupo de 2 ou mais de 2 elementosUtilizando a técnica do Cadáver Esquisito, adoptada por artistas surrealistas para provocar uma associação de imagens fora do habitual, realize um desenho e/ou pintura coletiva.
PROCESSO:
Na realização da Tarefa 1, dois elementos da linguagem gráfico/plástica serão particularmente relevantes: a linha e a forma.
A linha que, como diz Wassily Kandinsky (1989), "é o rasto do ponto em movimento", pode estabelecer ritmos, refletir emoções e expressar ideias criativas registadas de modo mais ou menos espontâneo. A linha pode ainda transmitir sensações de tranquilidade, solidez e serenidade - como acontece com as linhas retas - ou produzir efeitos de instabilidade, graciosidade e alegria - como se verifica com as linhas curvas.
Por sua vez a forma, mais do que um registo da realidade, pode surgir como uma invenção de mundos totalmente imaginados.Considerando o valor expressivo destes elementos visuais, e colhendo inspiração nos exemplos de Cadáveres Esquisitos apresentados nos Recursos, desenvolva esta tarefa de acordo com as Etapas que se seguem:
Etapas da Tarefa 1:
· 1 · Dobre uma folha de papel de formato A4 em partes iguais.
· 2 · Desenhe seres humanos, animais, objetos ou apenas traços de qualquer tipo, numa das partes da folha dobrada.
· 3 · Assinale alguns pontos no extremo da folha dobrada, para que o participante seguinte - embora não possa observar o que o último fez - tenha um ponto de partida (uma pista) para dar continuidade ao desenho.
· 4 · Entregue a esse participante a folha de papel para que o mesmo possa prosseguir com o trabalho.
· 5 · Desdobre a folha depois de cada um dos elementos do grupo terem contribuído para a resolução da tarefa, isto é, terem desenhado numa das partes da folha, e observe o efeito obtido.
· 6 · Autoavalie em grupo o trabalho realizado.
Nota: Esta técnica proporciona resultados mais espetaculares se o desenho for figurativo.
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ILUSTRAÇÃO DO POEMA EM TODAS AS RUAS TE ENCONTRO
Material básico:
· Papel de formato A4;
· Lápis de grafite;
· Lápis de cor, lápis de cera ou pastel seco.Libertando-se de convenções e mecanismos, e anulando as fronteiras entre o sonho e a realidade, ilustre o poema que se segue utilizando para o efeito as técnicas e os materiais que entender.
Em todas as ruas te encontroEm todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procuraEm todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny,
in Pena Capital, 1957.PROCESSO:
Na realização da Tarefa 2, para além de outros elementos da linguagem gráfico/plástica a utilizar, chama-se a atenção para os seguintes: a cor e a textura.
A cor porque é um dos elementos que mais possibilidades oferece no registo gráfico criativo das emoções provocadas pela leitura de um poema. Uma vez mais recordamos Kandinsky (1987) quando afirma:
A cor é um meio para exercer uma influência direta sobre a alma.
A cor é a tecla; o olho o martelo. A alma, o instrumento de mil cordas.
O artista é a mão que, ao tocar nesta ou naquela tecla, obtém da alma a vibração justa.
A textura porque o seu valor expressivo é quase inesgotável, por exemplo, desde a representação visual de um sentimento ou superfície delicada à representação dos sentimentos ou matérias em turbulência.Etapas da Tarefa 2:
· 1 · Leia com muita atenção o poema que vai ilustrar - ou seja, o poema Em Todas as Ruas te Encontro, de Mário Cesariny - até estar impregnado dos sentimentos que este poema desperta em si.
· 2 · Identifique o(s) ponto(s) mais relevante(s) do referido poema e que lhe suger(em) uma ou várias imagens.
· 3 · Faça vários esboços dessa(s) imagem(ens) utilizando qualquer tipo de riscador ou, se preferir, exprima as suas impressões, os seus pensamentos e emoções através da criação de manchas de cor.
· 4 · Desenvolva o esboço que mais lhe agradar e que transmite visualmente a(s) ideia(s) fundamental(is) do texto.
· 5 · Concretize a sua tarefa utilizando uma ou mais técnicas de entre aquelas que são sugeridas nas alíneas b) e c) dos recursos apresentados nesta tarefa 2.
· 6 · Autoavalie o trabalho que realizou.
Nota: Lembre-se que as ilustrações são uma forma de sugerir, por desenho ou mancha, o que está escrito. Simultaneamente, as ilustrações são textos visuais ou pinturas de palavras que, por sua vez, nos incitam à leitura.
Recursos da Tarefa 2:
a) Ilustração (exemplos).
b) Técnicas Surrealistas.
c) Técnicas Diversas. -
DESCONSTRUÇÃO/RECONSTRUÇÃO DE UMA DAS PINTURAS INDICADAS NAS DUAS OPÇÕES QUE SE SEGUEM
Material:
· Computador.OPÇÃO 1 - A Persistência da Memória, Salvador Dali (1931).
OPÇÃO 2 - O Jardim, Joan Miró (1977).PROCESSO:
OPÇÃO 1 - A Persistência da Memória
Na realização da primeira opção, da Tarefa 3, salientam-se duas possibilidades de valorização estética da forma visual:
· A metamorfose ou alteração criativa;
· A utilização da forma fora do seu contexto habitual.Etapas da Opção 1:
Utilizando o PowerPoint e tendo como referência a obra de Dali designada A Persistência da Memória, efetue a tarefa proposta tendo em atenção as instruções que se seguem:
· Efectue o download do seguinte ficheiro em PowerPoint que contém os fragmentos da desconstrução desta obra: Dali.ppt
· Coloque o ficheiro no seu computador.
· Abra o ficheiro do PowerPoint e reconstrua como entender esta obra de Dali.
· Utilize as ferramentas de imagens colocadas à sua disposição pelo PowerPoint, dando largas à sua imaginação.
· Guarde o trabalho realizado no seu computador, depois de terminada a tarefa.
· Autoavalie o trabalho que realizou.
· Envie o trabalho por e-mail para: icriatividade@gmail.com
Assunto: Tarefa 3 - Opção 1.Recursos da Tarefa 3 (Opção 1)
OPÇÃO 2 - O Jardim
Na realização da segunda opção, da Tarefa 3, destaca-se a importância dos signos, dos símbolos e da cor na comunicação visual.
Etapas da Tarefa 3 (Opção 2):
Utilizando o software de desenho on line Sumo Paint efetue a tarefa proposta tendo em atenção as instruções que se seguem:
· Efetue o download da imagem: O Jardim
· Coloque a imagem no seu computador.
· Abra o site do Sumo Paint (http://www.sumopaint.com/app/).
· Abra a imagem no Sumo Paint, clicando em «File - Open from My Computer...»
· Utilize as ferramentas e os filtros colocados à sua disposição por esta aplicação dando largas à sua imaginação.
· Guarde o trabalho realizado no seu computador, depois de concluída a tarefa, indo a «File - Save to My Computer...» e escolha o formato JPG.
· Autoavalie o trabalho que realizou.
· Envie o trabalho por e-mail fazendo «File - Send to E-mail...»: para: icriatividade@gmail.com
Assunto: Tarefa 3 - 2ª Opção.Recursos da Tarefa 3 (Opção 2)
Tarefa 3 - Opção 1
A Persistência da Memória, Salvador Dali, 1931.
Tarefa 3 - Opção 2
O Jardim, Joan Miró, 1977.
Tarefa 1
Mário Cesariny
Avaliação
Por favor, preencha o formulário seguinte.
Conclusão
Com esta WebQuest foi possível desenvolver uma pesquisa orientada na World Wide Web sobre o tema da CRIATIVIDADE.
Para o efeito, foram disponibilizados alguns textos, imagens, endereços eletrónicos e alguns vídeos com interesse para o estudo deste tema, evitando-se desta forma a dispersão, a perda de tempo e a desorientação, num universo tão extenso como o do Ciberespaço.
Por sua vez, a diversidade de escolha da tarefa a realizar visou facilitar a expressão criativa.
Nomeadamente, a 1ª Tarefa, assente na técnica surrealista designada “Cadáver Esquisito”, revelou-se interessante pelo envolvimento dos elementos do grupo num jogo coletivo que permite dar asas à imaginação e construir um trabalho cujo resultado final é surpreendente e inesperado.
Finalmente, a avaliação da tarefa realizada possibilitou a reflexão sobre os aspetos suscetíveis de serem melhorados em exercícios futuros e facilitou a autorregulação da aprendizagem.
Esperando que a experiência tenha sido agradável, contamos com a sua contribuição para as próximas WebQuests.
Bibliografia
· ALEXANDRIAN, Sarane, (2006). "O surrealismo de Cruzeiro Seixas". http://www.triplov.com/surreal/Cruzeiro-Seixas/Sarane-Alexandrian.htm
· ARNHEIM, Rudolf, (1984). Visual Thinking. USA, Berkeley: University of California Press.
· ARNHEIM, Rudolf, (1991). Arte e Perceção Visual. Uma Psicologia da Visão Criadora. (6ª ed.). São Paulo: Livraria Pioneira Editora. (Título original: Art and Visual Perception. A Psychology of the Creative Eye).
· BODEN, Margarert A. (1999). "O que é a criatividade?" In Dimensões da Criatividade. Porto Alegre: Artemed.
· BONO, Edward de, (2000). Six Thinking Hats. London: Penguin Books.
· Cesariny, Mário, (1989). Antologia do Cadáver Esquisito. Lisboa: Assírio e Alvim.
· ERNST, Max, (1974). Maximiliana, l' Exercice Illégal de l' Astronomie. Munchen: Bruckmann.
· GUILFORD, J. P. (1980). Intelligence Education is Intelligent Education. USA: International Society for Intelligence Education.
· KANDINSKY, Wassily, (1987). Do Espiritual na Arte. Lisboa: Publicações Dom Quixote. (Tit. orig. Ueber das Geistige in der Kunst, insbesondere in der Malerei. 1969. Paris. Éditions Denoel).
· KANDINSKY, Wassily, (1989). Ponto, Linha, Plano. Lisboa: Edições 70. (Tit. orig. Point, Ligne, Plan. 1970. Paris: Éditions Denoel).
· KLEE, Paul, (1973). La Pensée Créatrice. Paris: Dessain et Tolra. (Tit. orig. Des Bildnerische Denken).
· MOLES, Abraham A., (1971). A Criação Científica. S. Paulo: Perspetiva Editora da USP.
· MUNARI, Bruno, (1981). Fantasia: Invenção, Criatividade e Imaginação. Lisboa: Presença.
· NOVAES, Maria H. (1977). Psicologia da Criatividade. Brasil: Petrópolis.
· OSTROWER, Fayga, (1990). Acasos e Criação Artística. Brasil, RJ: Editora Campus Ltda.
· OSTROWER, Fayga, (1991). Universos da Arte. (7ª ed.). Brasil, RJ: Editora Campus Ltda.
· PARRAT-DAYAN, Silvia, (2001). "Génio e Criatividade". In Criatividade: Psicologia, Educação e Conhecimento do Novo. S.Paulo: Moderna.
· READ, Herbert, (1982). A Educação pela Arte. Lisboa: Edições 70. (Título original: Education Through Art).
· WILDE, Oscar, (2003). Complete Works. HarperCollins Publishers Limited.
Cibergrafia
· FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN http://www.gulbenkian.pt/index.php?section=8&artId=2316
· MUSEU DE ARTE CONTEMPORANEA DE BARCELONA http://www.macba.cat/controller.php
· MUSEU RAINHA SOFIA http://www.museoreinasofia.es/coleccion/coleccion-1_en.html
· CRUZEIRO SEIXAS in Linguagem Visual de Eduardo Salavisa e Margarida Gaspar de Matos, 1993, Edições Luso Livro.
· OPEN CREATIVITY CENTRE http://opencreativity.open.ac.uk
· PROJECT ZERO http://www.pz.harvard.edu/
· CREATIVE EDUCATION FOUNDATION http://creativeeducationfoundation.org
· AMERICAN CREATIVITY ASSOCIATION http://amcreativityassoc.org
Ajuda
Uma WebQuest é uma metodologia de pesquisa orientada em que quase todos os recursos são indexados à Web.
Pretende-se que pesquise informação consultando a Internet (recorrendo às nossas sugestões, ou não) de modo a cumprir as tarefas propostas.
Quais as suas componentes?
A WebQuest está dividida em cinco partes:
1 - Introdução - Apresentação do tema;
2 - Tarefas - Aqui poderão ver-se as atividades propostas;
3 - Processo/Recursos - Nesta página é dada orientação para o sucesso na realização das tarefas. Nesta mesma página poderá consultar os sites e as informações que disponibilizamos como recursos para a realização das diversas tarefas;
4 - Avaliação - As tarefas serão avaliadas mediante o preenchimento de um formulário;
5 - Conclusão - Conclusão da WebQuest.